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Personagem Bíblico
CONTEXTO HISTÓRICO

Judeu/judeus

Este termo étnico tornou-se um meio muito comum de se referir aos israelitas que faziam parte do reino do Sul de Israel, durante o período do exílio na Babilônia. Sua primeira menção é em 2 Reis 16.6 e 25.25, em associação com a permanência do povo de Deus na Caldéia. Servia também para descrever qualquer israelita, no período após o exílio, em contraste com os gentios. Aparece frequentemente com esse sentido em Esdras, Ester e Jeremias e um pouco mais raramente em Daniel e Zacarias. Ester, Mordecai, Sadraque, Mesaque e Abede-Nego são personagens proeminentes, identificados explicitamente como judeus no Antigo Testamento (livro de Ester; Dn 3.12). O contexto cultural misto de suas histórias torna o uso do termo bastante adequado. Este também é um termo religioso, para se referir a quem aderiu à religião dos hebreus.

Os judeus que viviam na Palestina preferiam referir-se a si mesmos como membros de Israel. Para muitos israelitas, “judeu” era o meio pelo qual os de fora se dirigiam a eles. O contraste entre os líderes judaicos que escarneciam de Jesus, quando o chamaram de “Rei de Israel”, e o título zombeteiro dado a ele pelos romanos, “Rei dos judeus”, ilustra essa diferença de perspectiva (Mc 15.32; cf. w. 2,9,12,18,26).

Esse senso de “eles” também surge no Novo Testamento, mas de maneira diferente. Os judeus são vistos como um grupo que se opõe a Jesus, a fim de questionar a sua doutrina, ou cujas práticas diferem das dos cristãos com respeito a coisas como alimentos puros ou impuros ou a guarda do sábado (Mt 28.15; Mc 7.3; Jo 2.18,20; 5.10,16,1 8 ; 7.1; 9.22; 10.31; 19.38; At 9.23; 12.3; 14.19; 17.5; 18.12). As vezes, o termo é uma descrição neutra daqueles que pedem um favor a Jesus ou estão entre os que respondem a Ele (Lc 7.3; Jo 11.31-33, 45; 12.11; At 13.43; 14.1; 21.20). Assim, este nome não é usado unicamente de forma hostil. Em João 4.9, Cristo é identificado como judeu, em contraste com os samaritanos. O mesmo aconteceu com Paulo e seus companheiros (At 16.20; 22.3,12), bem como com os crentes Á qüila, Apoio e A nanias (At 18.2,24). Assim, os cristãos de descendência judaica são chamados de judeus e ao mesmo tempo são distintos deles. Paulo é destacado como alvo da oposição deles (At 18.12; 21.27; 22.30; 23.12, 27; 24.9; 26.7; 2 Co 11.24).

Nas epístolas, o termo aparece mais frequentemente nas cartas do apóstolo Paulo, na maioria das vezes para estabelecer um contraste étnico com os gentios ou gregos (Rm 1.16; 2.9,10; 10.12; 1 Co 1.24; 10.32; 12.13; G1 2.14,15; 3.28; Cl 3.11; o único uso fora das cartas de Paulo é em Apocalipse 2.9; 3.9). Em alguns desses contextos, há uma hostilidade implícita para com as práticas judaicas, quando comparadas com as cristãs (G1 2.13,14). Na relação judeu-gentio, o argumento geralmente reflete um desejo de mostrar o alcance da salvação que é oferecida a todas as raças.

Este estudo foi elaborado pela equipe do Portal Personagem Bíblico a partir de pesquisa bíblica, tendo como uma das referências o verbete “Judeu/judeus” da obra Quem é Quem na Bíblia Sagrada (Editora Vida).

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