Gentios
Este conceito aparece frequentemente na Bíblia. No AT, é muitas vezes traduzido como “gentio” e significa simplesmente “pagão”, “povo” ou “nação”. Também é a maneira de referir-se a todos os que não são israelitas e, assim, torna-se um termo que designa “os de fora”. No AT, as relações com os gentios às vezes eram hostis (de acordo com os residentes em Canaã: Êx 34.10-16; Js 4.24), ou amigáveis (como na história de Rute). Para Israel, era proibido qualquer envolvimento com a religião dos gentios e, quando isso ocorria, acarretava castigo e repreensão. Os profetas faziam paralelos com esse quadro. As vezes, prediziam juízo severo sobre as nações, por causa da idolatria (Is 17.12-14; 34.1-14), enquanto anunciavam também a esperança de que um dia as nações participariam da adoração ao Senhor (Is 2.1-4). Até mesmo predisseram a futura honra da Galiléia dos gentios (Is 9.1), um texto que Mateus 4.15 cita com referência ao ministério de Jesus.
No NT, o conceito também tem uma ampla utilização. Em muitos casos, o termo traduzido como “gentio” pode também ser compreendido como “nação”. Em geral, este vocábulo refere-se aos não israelitas, da mesma maneira que no A.T. As vezes refere-se a uma região que não faz parte de Israel (Mt 4.15). Frequentemente é usado como um termo de contraste étnico e cultural. Se os gentios fazem algo, é uma maneira de dizer que o mundo realiza aquilo também (Mt 5.47; 6.7, 32; Lc 12.30). Muitas vezes, quando este vocábulo é usado dessa maneira, é como exemplo negativo ou uma observação de que tal comportamento não é comum nem recomendável. O termo pode ter também a força de designar alguém que não faz parte da Igreja (Mt 18.17). Às vezes descreve os que ajudaram na execução de Jesus ou opuseram-se ao seu ministério (Mt 20.19; Lc 18.32; At 4.2527). Às vezes também os gentios se uniram aos judeus em oposição à Igreja (At 14.5).
Além disso, como um termo de contraste, é usado de maneira positiva, para mostrar a abrangência do Evangelho, que claramente inclui todas as nações (Mt 28.19; At 10.35, 45). Paulo foi um apóstolo chamado especificamente para incluir os gentios em seu ministério (At 13.4648; 18.6; 22.21; 26.23; 28.28; Rm 1.5, 13; 11.13; G1 1.16; 1 Tm 2.7; 4.17). Cristo, como o Messias, é chamado para governar as nações e ministrar a elas (Rm 15.11,12). Assim, os gentios têm acesso à presença de Jesus entre eles (Cl 1.27) e igualmente são herdeiros da provisão de Deus para a salvação (Ef 3.6). Assim, não são mais estrangeiros, mas iguais em Cristo (Ef 2.11-22). Como tais, os gentios ilustram a reconciliação que Jesus traz à criação. Dessa maneira, a promessa que o Senhor fez a Abraão, de que ele seria pai de muitas nações, é cumprida (Rm 4.18). Assim Deus é tanto o Senhor dos judeus como dos gentios (Rm 3.29). Na verdade, a inclusão dos povos torna-se o meio pelo qual Deus fará com que Israel fique com ciúmes e seja trazido de volta à bênção (Rm 11.11-32).
Cornélio é uma figura que ilustra o relacionamento dos gentios com Deus (At 10 e 11). Esse centurião é apresentado como a pessoa escolhida para revelar a verdade de que o Senhor agora alcança pessoas de todas as nações e que as barreiras étnicas foram derrubadas, por meio de Jesus. Assim, a quebra dos obstáculos culturais é a ação à qual Lucas constantemente se refere em Atos, ou seja, a maneira como a Igreja trata da incorporação dos judeus e gentios na nova comunidade que Cristo tinha formado (At 15.7-12). Ao trazer a salvação aos gentios, Deus levou sua mensagem até os confins da Terra (At 13.47).
Este estudo foi elaborado pela equipe do Portal Personagem Bíblico a partir de pesquisa bíblica, tendo como uma das referências o verbete “Gentios” da obra Quem é Quem na Bíblia Sagrada (Editora Vida).
