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Personagem Bíblico
CONTEXTO HISTÓRICO

Genealogias bíblicas

As Escrituras apresentam repetidamente as listas dos ancestrais e descendentes de vários personagens judeus. Essas genealogias servem para propósitos variados: (i) mostrar a sucessão hereditária de certa tribo, servindo assim para legitimar reivindicações de herança ou de uma função em particular; (ii) demonstrar a bênção ou o juízo de Deus sobre uma família em particular; (iii) preencher as lacunas entre um período histórico e outro; (iv) mostrar os padrões da atividade de Deus na história humana; e (v) distinguir os verdadeiros judeus dos gentios. E comum que nomes de pessoas relativamente sem importância sejam deixados fora de tais listas, para que as genealogias sejam organizadas sistematicamente. As palavras traduzidas como “filho” e “pai” podem muitas vezes significar “descendente” e “ancestral”, respectivamente. Os ancestrais eram normalmente traçados a partir dos membros do sexo masculino na árvore genealógica da família; a inclusão de nomes de mulheres geralmente servia para algum propósito especial. A longevidade dos patriarcas antediluvianos deixa muitas pessoas perplexas em nossos dias; mas, na realidade, é até modesta, quando comparada com os paralelos mesopotâmicos; a diminuição da expectativa de vida através do tempo provavelmente indica os efeitos crescentes da queda.

As principais listas genealógicas do Antigo Testamento incluem os descendentes (i) de Caim e o desenvolvimento tecnológico associado a muitos deles (Gn 4.17-22); (ii) de Adão, por meio de Sete, para traçar a herança patriarcal através do filho mais piedoso de Adão (Gn 5.3-22); (iii) de Noé (Gn 10, frequentemente chamado de Tabela das Nações, pois o repovoamento da Terra começou por meio dos três filhos de Noé); (iv) de Sem, a fim de destacar Abraão e preparar o caminho para a família particular que Deus chamaria para receber sua aliança e suas bênçãos (Gn 11.10-32); (v) de Ló, para mostrar a origem dos moabitas e amonitas (Gn 19.37,38); (vi) de Naor, irmão de Abraão, para enfatizar a esterilidade de Sara, esposa de Abraão (Gn 22.20.24); (vii) de Abraão, por meio de Quetura, a esposa posterior, para mostrar a origem dos outros povos do Oriente Médio, além dos israelitas (Gn 25.1-4); (viii) de Ismael, o filho de Abraão com Hagar, pela mesma razão e para ilustrar como diferentes nações se originaram de Abraão (Gn 25.12-18); (ix) de Jacó, através de cada uma das quatro mulheres, a fim de chamar particular atenção para a fundação das doze tribos de Israel, junto com os descendentes de cada um dos seus doze filhos (Gn 46.8-27; cf. Nm 26.562); (x) uma lista detalhada de pessoas, entre Adão e Saul, para enfatizar a pureza racial através dos tempos pós-exílicos e demonstrar a graça e a soberania da eleição de Deus (1 Cr 1 a 9); (xi) vários levitas, durante o período do reinado de Davi (1 Cr 15.5-24), Ezequias (2 Cr 29.12-14), Josias (2 Cr 34.12,13) e Zorobabel (Ne 12.1-24), os quais por meio das genealogias validaram seu direito de oficiar o culto de adoração.

Listas semelhantes, as quais, embora não se tratando essencialmente de genealogias, muitas vezes incluíam referências aos ancestrais de certas pessoas, como, por exemplo, os registros militares dos israelitas no deserto (Nm 1.5-16), os heróis de Davi (2 Sm 23.8-39), líderes tribais (1 Cr 27.16-22), oficiais administrativos (1 Cr 27.25-31), israelitas repatriados no tempo de Neemias e Esdras (Ne 7.7-63), os que ajudaram na reconstrução dos muros de Jerusalém (Ne 3), os que se casaram com mulheres estrangeiras (Ed 10.18-43), os que assinaram o pacto de dedicação ao Senhor Deus de Israel (Ne 10.1-27) e os que passaram a residir em Jerusalém (Ne 11.14-19).

Duas genealogias significativas aparecem no Novo Testamento, ambas relacionadas com Jesus. Mateus 1.1-17 traça sua linhagem a partir de Abraão, em três grupos de 14 gerações, a fim de apresentar Cristo como filho de Davi e restaurador das esperanças que foram destruídas no tempo da deportação para a Babilônia. Quatro mulheres figuram de forma significativa na lista: Tamar, Raabe, Rute e a esposa de Urias. Todas eram gentias e cada uma delas foi mencionada provavelmente devido à suspeita de terem gerado filhos ilegítimos. A mesma suspeita cercou Maria, a mãe de Jesus, o quinto nome de mulher na lista. Mateus enfatiza que Cristo tinha todas as credenciais judaicas apropriadas para ser o Messias e Rei, mas que veio para salvar também os párias.

Lucas 3.23-37 começa com Jesus e retrocede até Adão e finalmente até Deus, para enfatizar o alcance universal da missão do Messias. As discrepâncias entre os nomes das duas listas geralmente são atribuídas à suposição de que Mateus preserva a linhagem legal de Jesus e Lucas, sua linhagem biológica; ou então que Mateus traça a descendência a partir de José, o pai adotivo de Cristo, enquanto Lucas o faz através de Maria. Ambas as genealogias implicam a concepção virginal de Jesus (Mt 1.16; Lc 3.23).

Este estudo foi elaborado pela equipe do Portal Personagem Bíblico a partir de pesquisa bíblica, tendo como uma das referências o verbete “Genealogias bíblicas” da obra Quem é Quem na Bíblia Sagrada (Editora Vida).

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