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Personagem Bíblico
ESTUDO DA PALAVRA

Sábios e tolos

A sabedoria bíblica não é primariamente teórica, mas prática. É um atributo de Deus, o qual é revelado na ordem da criação (Pv 8.22-31) e em sua maneira eficiente de operar (Jó 39.26); assim, sabedoria e tolice são atitudes práticas que determinam se uma vida é vivida ou não com sucesso no meio de uma sociedade. A sabedoria bíblica crescente é o resultado do aprendizado pelas experiências da vida, enquanto se mantém uma obediente confiança no Senhor.

A literatura da sabedoria

Nos livros da Sabedoria (Jo, Salmos, Provérbios e Eclesiastes) a aquisição do conhecimento é entendida como algo dado pelos pais (Pv 1.8; 4.1; 6.20), porque adquirir sabedoria é ganhar habilidades para viver no meio de uma sociedade. Mestres “sábios” cumprem um papel paterno para com os que aprendem com eles (Gn 45.8; Jz 5.7; note o uso de meu filho em Provébios 1 a 9); nem todos estão dispostos a aprender essas habilidades, de forma que o “tolo” e o “sábio” são frequentemente contrastados e diferem em suas atitudes para com o Senhor, no aprendizado, no falar e no domínio próprio.

“Diz o néscio no seu coração: Não há Deus” (SI 14.1), enquanto “o sábio teme ao Senhor (Pv 14.16; cf. 1.7; 9.10; Jó 28.28; SI 111.10). É impossível ser sábio e viver com sucesso no meio de uma sociedade, sem reconhecer a existência de Deus. Por isso, os provérbios louvam o homem “sabio”, ao misturar a iluminação geral proveniente da experiência com a obediência à sabedoria revelada de Deus (Pv 2.6) e a consciência da vigilancia do Todo-poderoso (Pv 15.3,11). A sabedoria do "sábio” deriva de uma vida de fé no Senhor; em contraste, o “tolo” não encontra sabedoria no Senhor, mas em si mesmo (Pv 18.12; 28.26). A insensatez dele não consiste meramente em atitudes estúpidas, mas em sua rejeição da sabedoria do Senhor. Tal “tolice” traz culpa moral.

O contraste na atitude para com o aprendizado é bem definido: o “sábio” aprende por meio do ensino (Pv 10.8; 19.20), ouve os conselhos (Pv 12.15) e aceita com gratidão as repreensões (Pv 9.8). O “sábio” é “ensinável”. O “tolo” faz o que quer (Pv 12.15), rejeita a disciplina (Pv 15.15) e não aprende nem mesmo com seus próprios erros (Pv 26.11). Semelhantemente, no falar o “sábio” é caracterizado pelo autocontrole e pelo desejo de edificar os outros (Pv 12.18; 13.14; 15.2); o "tolo” é descrito como tagarela (Pv 10.8,10,14) e insensato (Pv 15.2) naquilo que fala, de uma maneira que o conduz a toda sorte de dificuldades (Ec 10.12).

Outro contraste é estabelecido na questão da autodisciplina: o “sábio” é tardio em irar-se (Pv 29.11), disposto a ignorar as ofensas (Pv 12.16) e a evitar conflitos (Pv 20.3); trabalha diligentemente (Pv 10.5) e prepara-se com antecedência para possíveis problemas (Pv 21.20). O “tolo” não controla seu temperamento (Pv 12.16; 29.11), é iracundo e afoito (Pv 14.16), e é rápido para entrar em rixas (Pv 20.3); contudo, é também preguiçoso e despreparado para a vida (Ec 4.5).

A literatura da sabedoria declara que o conhecimento cresce primariamente por meio da aquisição de experiência no meio da sociedade, baseada numa teologia da criação e da graça comum, a qual permite que a sabedoria seja acessível a todas as nações. O conhecimento bíblico, entretanto, é baseado na teologia da redenção e da revelação; desta maneira, apenas o povo de Deus tem a verdadeira revelação da sabedoria, por meio do conhecimento do Senhor.

Jesus

O ensino de Jesus faz o mesmo contraste do “sábio” com o “tolo”, mas com outras características. Para Cristo, o “mestre” não somente vive com sucesso no meio da sociedade como também convive dignamente com relação a Deus. Em Mateus 7.2427 e Lucas 6.47-49, o homem “sábio” que edifica a casa sobre a rocha é contrastado com o “tolo”, com base na resposta prática às palavras de Jesus. Em Mateus 25.1-13, as virgens sábias são contrastadas com as “insensatas”, com base no preparo para a volta de Jesus (cf. Mt 24.44), um ponto reforçado com a parábola do administrador “sábio” (Lc 12.42ss).

Para Jesus, o "sábio” reconhece a sabedoria de Deus na pessoa de Cristo, em contraste com a sabedoria popular, que não O reconhece; contudo, esse reconhecimento vem por meio da revelação de Deus (Mt 11.25-26). O “tolo” não vive para o Senhor (Lc 12.20) nem reconhece Jesus Cristo.

O Novo Testamento

Ao defender seu ministério apostólico, Paulo argumentou como um “tolo” em 2 Coríntios 11.16 a 12.10, o que definiu como presunçosa confiança em si mesmo (2 Co 11.17). Era tolice, pois sua chamada era um comissionamento feito pelo Senhor Jesus em pessoa e não precisava de nenhuma justificação dos sábios que não se submetiam à revelação de Jesus. O apóstolo, entretanto, deliberadamente contrastou a verdadeira sabedoria com a sabedoria popular grega em 1 Coríntios 1 a 3, ao declarar que a sabedoria do mundo falhou em trazer o verdadeiro conhecimento de Deus (1 Co 1.21), mas a do Senhor, a mensagem do Messias crucificado, embora parecesse tola, foi usada por Deus para trazer salvação aos homens (1 Co 1.23,24). Isso reforça o fato de que o verdadeiro conhecimento presume não somente uma experiência prática, mas também revelação. Semelhantemente, em Tiago a sabedoria é tanto prática (Tg 3.13) como espiritual (Tg 3.17), enquanto o “tolo” alega ter uma fé que não produz resultados práticos (Tg 2.20). . . .

A ênfase do Novo Testamento sobre a revelação do Senhor como pré-requisito a verdadeira sabedoria significa que o "sábio” crescerá por meio do estudo das Escrituras (2 Tm 3.15-16) e da graça de Deus (Tg 1.5ss), porque em última análise somente o Senhor é verdadeiramente sábio (Rm 16.27). R-M

Este estudo foi elaborado pela equipe do Portal Personagem Bíblico a partir de pesquisa bíblica, tendo como uma das referências o verbete “Sábios e tolos” da obra Quem é Quem na Bíblia Sagrada (Editora Vida).

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