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Personagem Bíblico
ESTUDO DA PALAVRA

Lucas

Lucas, que talvez seja um apelido carinhoso para o nome Lúcio, foi um dos líderes da Igreja primitiva e acompanhou Paulo em várias viagens missionárias (note o pronome “nós” em Atos 16.10-17; 20.5 a21.18;27.1a 28.16). Ambos eram amigos, e o apoio de Lucas foi um encorajamento para o apóstolo. Tradicionalmente, Lucas é considerado o “médico amado” (Cl 4.14), e algumas faculdades católicas de medicina o homenageiam nas comemorações do dia de São Lucas.

Existem, entretanto, apenas três referências específicas a Lucas no Novo Testamento. Ao escrever para Filemom, Paulo claramente o mencionou, junto com Marcos, Aristarco e Demas, como “meus cooperadores” (Fm 24). De acordo com 2 Timóteo, o apóstolo mencionou com uma atitude de apreciação a presença de Lucas, quando disse: “Só Lucas está comigo” (2 Tm 4.11). Desde que seu nome é mencionado numa passagem de Colossenses depois de todos os obreiros judeus, geralmente se conclui que era gentio (Cl 4.10-14).

O Prólogo Antimarcionita declarava que Lucas era nativo de Antioquia da Síria, que jamais se casou e morreu em Boeotia (um distrito da Grécia antiga), com 84 anos de idade. Alguns reforçam esta hipótese, ao mencionar suas referências detalhadas sobre Antioquia em Atos 6.5; 11.19-27; 13.1; 14.26; 15.22-35. Qualquer que seja o caso, Lucas era um discípulo dedicado e demonstrou grande interesse pela formação e pelo desenvolvimento da Igreja.

Embora pouco se saiba sobre o passado de Lucas, descobre-se muitas coisas sobre seus interesses e preocupações quando se lê os dois livros do NT de sua autoria — o Evangelho de Lucas e o livro de Atos. Os dois juntos constituem cerca de 27% do Novo Testamento. Certamente a perspectiva de Lucas sobre a vida de Cristo e a origem do cristianismo é extremamente importante para a boa compreensão da mensagem do NT. Destacamos nove aspectos dessa perspectiva.

Lucas, o historiador

Deve-se prestar uma atenção especial ao prefácio do evangelho de Lucas (Lc 1.1-4). Ele, ao seguir as convenções dos historiadores gregos de sua época, resume seu método histórico: (1 ) reconhece que outras pessoas tentaram estabelecer a origem histórica do cristianismo antes dele: (2 ) reconhece o valor do uso das evidências proporcionadas pelas testemunhas oculares originais e pelos ministros da Palavra; (3) acredita que existia a necessidade de uma “descrição ordenada” das origens do cristianismo, as quais ele podia providenciar; (4) declara que investigara todas as coisas cuidadosamente desde o princípio; (5) menciona Teófilo como o destinatário de sua obra (cf. At I.1); e (6 ) apresenta seu material para que seus leitores (Teófilo e outras pessoas interessadas) tivessem “plena certeza” das coisas nas quais foram ensinados.

Em outras palavras, Lucas tencionava apresentar um relato das origens históricas do cristianismo que tivesse um elevado grau de credibilidade (note seu uso do termo grego tekmeria, que significa “provas infalíveis”, em At 1.3). Desta maneira, deu cuidadosa atenção à confiabilidade histórica e é considerado o historiador por excelência do Novo Testamento. Deixou claro que o cristianismo deve ser compreendido contra o pano de fundo tanto da história judaica como romana (Lc 2.1; 3.1,2; At 10.1; II.19; 26.26).

Lucas, o artista literário

Felizmente, a preocupação de Lucas quanto ao método histórico, sadio e preciso não foi satisfeita à custa de um bom estilo literário. Em seu evangelho, fez vividas descrições de Zacarias, Maria, Isabel, Ana, Herodes Antipas, o centurião romano presente na cena da crucificação e o lamento das mulheres de Jerusalém. Semelhantemente, em Atos, há relatos comoventes de Ananias e Safira, Estêvão, Filipe, o eunuco etíope, Êutico, Lídia, Barnabé, Elimas, Pedro e Paulo. Lucas usou com vantagem seu talento para fazer uma descrição convincente em ambos os livros.

Essa maneira leve de apresentação não estava limitada apenas à narrativa histórica. Era evidente também nas parábolas contadas por Jesus. A maioria das narrativas mais conhecidas chegaram a nós por meio de Lucas: “o rico insensato” (Lc 12.16-21), “a figueira estéril” (13.6-9), “a grande ceia” (14.16-24], “o mordomo infiel” (16.1-9) e “os servos inúteis” (17.1-10). Alguns exemplos encontrados exclusivamente em Lucas são inesquecíveis, como as parábolas do “bom samaritano” e do “filho pródigo” (10.25-37; 15.11-32).

Lucas era um poderoso comunicador e seus relatos de acontecimentos arrepiantes, livramentos no meio da noite, intervenções sobrenaturais e memoráveis fugas da prisão tornam a leitura cativante. Usa uma variedade de materiais, como registros históricos, tradições orais, parábolas, pregações de antigos cristãos e lembranças de testemunhas oculares para compartilhar sua mensagem sobre Cristo e o surgimento da comunidade cristã. Fez isto de maneira tão atraente que seu evangelho é considerado por alguns eruditos como “o mais belo livro do mundo”.

Lucas e o uso do louvor e dos cânticos espirituais

Intimamente relacionado com o talento artístico de Lucas está o uso que fazia dos hinos. Em seus escritos, registrou as origens da hinologia na Igreja primitiva. Seu relato

da natividade é particularmente rico, pois nos dá a “canção de Maria” (Magnificat, Lc

1.46-55), a canção de Zacanas (Benedictus, Lc 1.68-79), a “canção das hostes angelicais” (Gloria in Excelsis, Lc 2.14) e a “canção de Simeão” {Nunc Dimittís, Lc 2.28-32).

O louvor a Deus era claramente importante para Lucas e é um aspecto proeminen

te tanto no seu evangelho com em Atos (Lc 2.13,30; 18.43; 24.53; At 2.47; 3.8,9). O glória a Deus” cantado pelos anjos foi repetido pelos discípulos na entrada triunfal de Jesus em Jerusalém; “Toda a multidão dos discípulos, regozijando-se, começou a dar louvores aDeus em alta voz, por todas as maravilhas que tinham visto” (Lc 19.37). Semelhantemente, em Atos, Lucas notou que, depois da cura miraculosa do mendigo coxo, todos glorificavam a Deus pelo que acontecera” (At 4.21). Um dos exemplos mais notáveis de louvor ocorreu quando Paulo e Silas oravam e cantavam hinos tarde da noite, na prisão em Filipos (At 16.25).

A ênfase de Lucas na alegria

Este tema já fora sugerido nas canções que marcam a história da natividade. O anjo que anunciou o nascimento de João Batista disse que ele seria motivo de “prazer e alegria” para seus pais e muitas pessoas se alegrariam no seu nascimento (Lc 1.14). Da mesma maneira, o anjo que anunciou o nascimento de Jesus disse: “Eu vos trago novas de grande alegria, que o será para todo o povo” (Lc 2.10). O advento de Cristo

como Salvador e Senhor foi associado à alegria.

Este tema repete-se por todo o seu evangelho e no livro de Atos (Lc 8.13; 10.17,21; 24.41,52; At 13.52; 15.3). E impressionante como frequentemente ele usa o verbo alegrar-se (chairo), para descrever a diferença que Jesus fazia na vida de seus seguidores (Lc 6.23; 10.20; 13.17; 15.5,32; 19.6). Lucas acreditava que a fé cristã tencionava trazer não somente o perdão dos pecados, mas também a alegria e o regozijo à vida diária. A condição necessária para alcançar isto era o arrependimento uma tristeza genuína pelo pecado e uma volta honesta para Deus, em busca do perdão e purificação (Lc 13.3,5; At 2.38; 3.19; 17.30). Portanto, não é de surpreender que Lucas citasse as palavras de Jesus na conclusão da parábola da ovelha perdida: Digo-vos que do mesmo jeito haverá alegria no céu por um pecador que se arrepende, mais do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento” (Lc 15.7; cf. v.1 0 ; 10.17-20).

Em Atos, a recepção do Evangelho de Cristo também era acompanhada pela ale

gria. Isto ficou evidente quando Filipe proclamou a Jesus e teve uma resposta favorá

vel em Samaria: Havia grande alegria naquela cidade” (At 8.8). Da mesma maneira, o eunuco etíope, depois de sua conversão e seu batismo, “jubiloso, continuou o seu caminho (At 8.39). Outro exemplo tocante é o carcereiro de Filipos, cuja conversão

trouxe uma nova vida: “E na sua crença em Deus alegrou-se com toda a sua casa” (At

16.34). A alegria dessa nova vida em Cristo capacita os crentes a enfrentar as experiências difíceis de maneira vitoriosa. Assim, quando os apóstolos foram severamente repreendidos e receberam ordem para não falar mais no nome de Jesus, “retiraram-se

da presença do Sinédrio regozijando-se, porque tinham sido julgados dignos de pade

cer afronta pelo nome de Jesus” (At 5.41). Uma fé ousada e alegre não poderia ser

silenciada por meio de ameaças e intimidações.

A ênfase de Lucas na oração

Lucas é chamado de “o evangelista da oração”. Embora todos os evangelhos revelem Jesus como um homem de oração e afirmem a função que ela exerce, Lucas demonstra com maior ênfase a importância da oração na vida de Cristo e na Igreja cristã. Isso fica claro tanto no rico vocabulário empregado para a oração (utiliza pelo menos nove termos diferentes) como pelo grande número de incidentes que envolvem as súplicas registradas em seu evangelho e no livro de Atos.

No evangelho de Lucas, Jesus orou em cada decisão importante e em todo momento decisivo de sua vida. Orou no batismo (Lc 3.21), antes de escolher os discípulos (6.12), em Cesaréia de Filipe (9.18), no monte da Transfiguração (9.28,29), no jardim do Getsêmani (22.39-46) e na cruz (23.34,46). Lucas apresenta o ensino de Jesus sobre oração na “Oração-Modelo” (Lc 11.1-4; cf. Mt 6.9-13) e também inclui várias parábolas sobre o assunto (Lc 11.5-8; 18.1-14). Jesus foi transfigurado, enquanto orava (Lc 9.29), e Lucas ensinou aos discípulos cristãos que a oração faria uma grande diferença também em suas vidas. Esta dimensão fica clara em seu relato sobre o jardim Getsêmani, onde menciona a admoestação de Jesus aos discípulos para que orassem; a oração é colocada como o meio divinamente estabelecido para escapar de “cair em tentação” (Lc 22.40,46).

Lucas mantém seu interesse pela oração, no livro de Atos, onde encontramos muitos elementos da súplica, inclusive adoração (27.35; 28.15), confissão de pecado (19.18), petição (9.11,13-16; 10.31; 22.10) e intercessão (7.60; 12.5; 27.23-25; 28.8). De fato, Atos contém cerca de 25 exemplos específicos de oração. O nascimento da Igreja foi resposta da oração (Lc 24.49; At 1.4,5; 2.1-13). A escolha de Matias, como substituto de Judas Iscariotes, foi feita depois de intensa oração (At 1.12-26). Os novos crentes “perseveravam na doutrina dos apóstolos, na comunhão, no partir do pão e nas orações" (2.42; cf. 1.14). Portanto, a oração tinha parte ativa na vida da Igreja (14.23; 20.36; 21.5). Quando surgiram os tempos difíceis, eram enfrentados com oração unida, frequentemente seguida por demonstrações convincentes do poder de Deus (4.24-31; 6.1-7; 16.25-34). Lucas era enfático em insistir sobre a importância da oração no ministério de Jesus e na comunidade cristã. Em sua visão, Deus usava a súplica fiel de seu povo para estabelecer seu reino na Terra.

O interesse de Lucas pelo Espírito Santo

O Espírito Santo ocupa uma posição proeminente nos escritos de Lucas. Em seu evangelho, Ele tem parte ativa na concepção de Cristo (Lc 1.35), durante todo seu ministério e no período após sua ressurreição, quando prometeu aos discípulos que receberiam o Espírito para executar o serviço com poder (Lc 24.49; At 1.8). Jesus foi revestido com o Espírito (Lc 3.22), testado pelo Espírito (4.1), ungido pelo Espírito (4.14,18) e ensinou aos discípulos sobre sua importância (Lc 11.13; cf. Mt 7.11). Semelhantemente, vários outros personagens no evangelho de Lucas foram recipientes do Espírito Santo, inclusive João Batista (Lc 1.15), Maria (1.35), Isabel (1.41), Zacarias (1.67) e Simeão (2.2527). Jesus não somente se alegrou no Espírito, mas também instruiu seus discípulos sobre a ajuda do Espírito em situações de crise (Lc 10.21; 12.12). Embora fosse possível receber perdão por palavras proferidas contra o Filho do homem, “ao que blasfemar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado”(Lc 12.10; cf. Mt 12.31).

Muito mais é dito sobre o Espírito Santo no livro de Atos, onde seu poder é enfatizado (At 2.1-4; 4.31) e sua personalidade é reconhecida (5.3,9,32; 15.28), bem como sua direção (10.19; 11.12; 13.2,4; 16.6,7). Em Atos, uma grande ênfase é dada ao testemunho externo do Espírito Santo. Os sinais e maravilhas operados pelos apóstolos e seus cooperadores eram uma expressão desse testemunho. Pedro e João, no poder do Espírito Santo, curaram o coxo (At 3.1-10; 4.22; cf. 5 .1 2 ), e obras maravilhosas foram realizadas por Estêvão (6 .8 ), Filipe (8.6,7,13), Pedro (9.33-42) e Paulo (19.11,12). Outra forma desse testemunho inspirado pelo Espírito era a ousadia da pregação apostólica. O Espírito tomou aqueles que anteriormente foram fracos e sem poder e deu-lhes “ousadia” para falar corajosamente sobre Jesus. Isso foi verdade com relação a Pedro e João (At 2.29; 4.9,10,13), Estêvão (6 .1 0 ), Filipe (8.30-35), Barnabé e Paulo (13.46; 14.3) e os apóstolos em geral (4.33; cf. w. 29s). Lucas enfatizou a importancia do Espírito Santo no seu evangelho e no livro de Atos de uma maneira inquestionável.

A convicção universal de Lucas

Lucas tinha uma forte convicção de que a mensagem do cristianismo não deveria limitar-se apenas a um povo ou a uma região. Isso o levou a enfatizar a natureza universal do Evangelho de Cristo. Ele acreditava que era uma mensagem para as

pessoas de todas as raças. Expressou essa convicção em seus dois livros.

No seu evangelho, Lucas teve o cuidado de incluir a vida de Cristo no contexto mais amplo do império (Lc 2.1-3; 3.1,2). Viu a salvação divinamente preparada como algo que Deus providenciara “perante a face de todos os povos”, inclusive os gentios (Lc 2.31,32). Embora outros evangelistas também citassem Isaías, somente Lucas incluiu as palavras: “E toda a humanidade verá a salvação de Deus” (Lc 3.4-6; cf. Is 40.3-5; Mc 1.2,3; Mt 3.3). Outras indicações dessa perspectiva mais ampla incluem o samaritano agradecido (Lc 17.15,16), a condenação da parcialidade e do preconceito (9.50), a posição contrária à discriminação étnica (10.33-37) e o destaque na resposta pessoal, em vez do privilégio nacional (13.28-30). Lucas referiu-se favoravelmente à fé do centurião romano e ao comentário notável de Jesus: “Digo-vos que nem ainda em Israel achei tanta fé” (Lc 7.9; Mt 8.10).

O mesmo interesse universal, por todas as pessoas, é encontrado em Atos. Jesus visualizara um ministério mundial (At 1 .8 ). Quando o Espírito foi derramado no dia de Pentecostes, os convertidos naturalmente levariam a mensagem do cristianismo para seus países de origem (cf. 2.5). O curso dos eventos registrados em Atos indica a expansão gradual do Evangelho às regiões dos gentios. A perseguição que se levantou contra a Igreja após a morte de Estêvão serviu para dispersar os crentes por toda Judéia e Samaria (At 8 .1 ). Filipe levou a mensagem do Evangelho para Samaria (w. 4 8 ); o eunuco a levou para a Etiópia (w. 26-39).

A conversão de Saulo é contada três vezes em Atos, para enfatizar a importância de seu papel na disseminação do Evangelho. Deus disse ao cético Ananias: “Este é para mim um vaso escolhido, para levar o meu nome perante os gentios, os reis e os filhos de Israel” (At 9.15; cf. 22.21; 26.17). O caminho do cristianismo está aberto para todos: “Todos os que nele crêem receberão o perdão dos pecados pelo seu nome” (At 10.43; cf. 4.12). Assim, Paulo pôde dizer ao carcereiro filipense: “Crê no Senhor Jesus Cristo, e serás salvo, tu e a tua casa” (At 16.31). A Igreja espalhou-se rapidamente para Antioquia, Chipre, Ásia Menor, Macedônia, Acaia e Itália, e alcançou desde a capital religiosa dos judeus (Jerusalém) até a capital política dos gentios (Roma). O Evangelho destinava-se a todas as pessoas, e Lucas tinha prazer em apresentá-lo como uma mensagem para todos os povos, independentemente de raça ou língua.

A compaixão de Lucas

Intimamente relacionada com a preocupação de Lucas por todos os santos e todas as classes estava sua compaixão. Via Jesus de Nazaré como um homem profundamente preocupado com os desfavorecidos, os explorados e os marginalizados. No quadro que apresenta de Cristo, observa-se uma janela para o próprio coração do evangelista. Jesus era sensível aos problemas dos pobres (Lc 6.20-25), dos leprosos (5.12-14), das viúvas (7.11-16), dos enfermos (5.17-26; 14.1-4) e das crianças (18.15-17). Como seu Senhor, Lucas demonstrava uma preocupação especial para com as mulheres (7.36-50; 8.1-3; 10.38-42; 13.10-17; 21.2-4). Seu evangelho expressa a compaixão e a bondade de Deus de forma notável. Não é surpresa que tenha descrito tantas cenas de banquete, pois a mesa da refeição era a expressão perfeita do amor e da aceitação (Lc 7.36-50; 10.38-42; 11.37-54; 14.1-14; 19.1-10).

Semelhantemente, Atos mostra a mensagem do cristianismo que alcança os samaritanos (At 8.25), as mulheres (5.14; 8.3,12; 13.50; 16.1, 13,14; 17.4,12,34), os explorados (16.16-21; cf. 19.23-27), os oficiais romanos, como o centurião Cornélio, o procônsul Sérgio Paulo (At 10 e 11; 13.6,7,12) e as pessoas imorais de uma cidade portuária como Corinto (18.1-11; cf. 1 Co 6.9-11). Lucas acreditava que havia “uma amplitude na misericórdia de Deus”, e esta dimensão se refletia em sua graça e misericórdia que alcançariam todos os que respondessem a elas.

A ênfase de Lucas em Cristo como Salvador e Redentor

Finalmente, há uma grande ênfase na salvação, nos escritos de Lucas. Jesus foi anunciado pelo anjo, na natividade, como o Salvador prometido e identificado como “Cristo, o Senhor” (Lc 2.11). Foi reconhecido pela profetisa Ana, no Templo, como a criança da promessa “a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém (2.38). Esta redenção não se restringiria apenas ao povo judeu, pois abrangeria toda a tamília humana (3.6). O advento de Cristo desafiou as pessoas a se arrepender, se quisessem experimentar o perdão (5.32); Jesus, como o filho do homem, declarou ter a autoridade para proclamar esse perdão (5.20-26). Se os homens não desejassem o arrependimento, pereceriam (13.1-5). A salvação pela graça de Deus não seria tratada levianamente, pois os que a rejeitassem seriam “lançados fora (Lc 13.28). Por outro lado, “há alegria diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende” (Lc 15.10). Assim, quando Zaqueu se arrependeu, Jesus lhe disse; “Hoje veio a salvação a esta casa, porque também este e filho de Abraão (Lc 19.9). A mensagem “cristocêntrica” proclamada por Lucas é resumida de forma muito bela no final do seu evangelho (Lc 24.45,46).

Atos anunciou poderosamente esta mensagem de redenção, que é repetida várias vezes na pregação apostólica dos grande sermões de Atos (A t2 e 3 ;7 ;1 0 ;1 3 ;1 7 ;2 2 ; 26). Pedro, por exemplo, declarou: “Em nenhum outro há salvação, pois também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos” (At 4.12; cf. 2.36). Os apóstolos e seus cooperadores estavam ocupados “anunciando a paz por Jesus Cristo (este é o Senhor de todos)” (At 10.36). Esta mensagem foi levada, em círculos cada vez mais amplos, até os confins da Terra, e as pessoas se convertiam das trevas para a luz, “e do poder de Satanás a Deus” (At 26.18). Esta oferta maravilhosa de nova vida foi extensiva aos gentios e muitos responderam a ela com fé e obediência (At 11.18, 21; 15.19).

Os dois livros escritos por Lucas abordam muitos temas. Além de excelente escri

tor e historiador fiel, ele era também um bom teólogo, que percebeu o plano e o propósito de Deus e tentou deixar isso claro aos seus leitores. Cumpriu essa tarefa

muito bem.

. . T

Este artigo foi adaptado do livro Quem é Quem na Bíblia Sagrada, publicado pela Editora Vida. Verbete “Lucas”, página 413–419, com ajustes pontuais.

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