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Personagem Bíblico
ESTUDO DA PALAVRA

Emanuel

Mencionado quatro vezes na Bíblia (Is 7.14; 8.8,10; Mt 1.23). O nome significa “El (Deus) está conosco” e indica que a pessoa demonstrava a presença especial de Deus com seu povo. Nomes similares aparecem pelo menos em duas ocasiões em antigos escritos judaicos extrabíblicos.

Os cristãos acham que Emanuel refere-se ao próprio nome de Cristo. Mateus 1.23 declara que o nascimento virginal de Jesus cumpriu a profecia de Isaías 7.14; “A virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel”. Desde os primeiros séculos do cristianismo, entretanto, os judeus têm questionado essa interpretação dos cristãos. Alegam que Isaías referia-se ou ao seu próprio filho ou a Ezequias, sucessor do rei Acaz. Os cristãos, por sua vez, continuam firmes na identificação de Cristo como o Emanuel da referida profecia.

Para entendermos melhor o significado deste título para Jesus, precisamos primeiro olhar para o contexto histórico original da profecia de Isaías. Os eventos registrados nos caps. 7 a 8 aconteceram durante um período de profunda crise, no reinado de Acaz, rei de Judá (732 a 715 a.C.). Em 735/4 a.C., o rei Rezim, da Síria, e Peca, de Israel, atacaram os judeus, a fim de forçá-los a unir-se a eles numa aliança contra o Império Assírio (Is 7.1,2). O Senhor enviou Isaías para dizer a Acaz que Rezim e Peca não consistiam uma ameaça séria (Is 7.3-9). Deus ofereceu ao rei de Judá um sinal do seu cuidado (Is 7.10), mas Acaz, numa atitude hipócrita, recusou o sinal, e preferiu a proteção da Assíria (Is 7.10-12). Em resposta, Isaías anunciou que o Senhor mesmo escolheria um sinal, que seria Emanuel (Is 7.13,14).

É comum os cristãos interpretarem Isaías 7.14 como uma referência direta e exclusiva a Cristo. De acordo com este ponto de vista, o profeta assegurava a Acaz a proteção por meio do Messias. Dessa maneira, Jesus é o cumprimento da profecia e o termo Emanuel refere-se exclusivamente a ele. Essa abordagem tradicional, entretanto, não dá a devida atenção a um contexto mais amplo da profecia.

Vários fatores indicam que essa profecia falava de alguém que vivia nos dias de Isaías, como um tipo ou prefiguração de Cristo:

Primeiro, o profeta disse ao rei Acaz que seus vizinhos do norte deixariam de ameaçá-lo antes que Emanuel soubesse "rejeitar o mal e escolher o bem” (Is 7.15,16). Logo depois do nascimento do menino, Judá seria entregue nas mãos da Assíria, por causa da infidelidade do rei (Is 7.17-25). Essas descrições orientam a profecia inteira para o tempo de Acaz e não para os dias de Jesus, 700 anos mais tarde.

Segundo, Isaías 8.3 registra que o profeta teve um filho, Maer-Salal-Has-Baz (“rápido-despojo-presa-segura”). Paralelamente com a descrição do Emanuel (Is 7.15), Isaías anunciou o despojo da Síria e Israel “antes que o menino saiba dizer meu pai ou minha mãe” (Is 8.4). Essas descrições tomam possível que o Emanuel fosse Maer-Salal-Has-Baz. Se for assim, Isaías tornou-se pai dessa criança (depois que sua primeira esposa morreu) com uma segunda esposa cujo nome não é mencionado e que cumpriu o requisito da profecia, porque era virgem no momento em que a predição foi feita.

Terceiro, Isaías falou sobre Emanuel nos dois oráculos que se seguiram ao nascimento de Maer-Salal-Has-Baz (Is 8.8,10). Essa associação próxima entre os dois nomes também pode indicar que se tratava da mesma pessoa.

Deste ponto de vista, o Emanuel original nasceu nos dias de Isaías como uma figura de Cristo. Mateus 1.23 explica que Jesus era a expressão definitiva da presença de Deus no meio de seu povo. Como o Messias, Cristo era tudo o que o filho de Isaías representava, e muito mais.

A presença de Deus conosco é um conceito fundamental em todo o Antigo Testamento. O Senhor é mencionado como o que habita no meio de seu povo pelo menos 89 vezes. Deus estava presente com os indivíduos e com toda a nação (Gn 21.20; 28.15; 31.3; 39.2,3; 46.4; Dt 20.4; Js 1.5,9,22; 6.27; Jz 1.19; 2.18; 1 Sm 3.19; 10.7; 17.37; 18.14,28; 2 Sm 7.9; 2 Rs 18.7; 1 Cr 22.11,16,18; 2 Cr 1.1; Zc 10.5). Num mundo cercado por inimigos, os israelitas fiéis nutriam a presença de Deus. Ele era a única esperança segura que eles tinham de bênção e proteção.

A presença de Deus no meio de seu povo também é um conceito vital no Novo Testamento. Jesus cumpriu Isaías 7.14, porque Ele era a plena demonstração da presença do Senhor no meio de seu povo. Em seu ministério terreno, Cristo tornou-se o Deus encarnado, que viveu entre nós (Jo 1.14). Jamais o Senhor se identificara tão intimamente com o povo da sua aliança. Depois de sua ascensão, Jesus enviou o Espírito Santo para estar com seu povo (Jo 14.16; At 1.8; 2.1-41). Por meio da terceira pessoa da Trindade, Cristo está no meio da Igreja, a fim de protegê-la e abençoá-la (Mt 28.20). Paulo também explicou que os que dormem no Senhor estão com Jesus (2 Co 5.8) e um dia voltarão com Ele (1 Ts 3.13). Finalmente, a grande esperança do Novo Testamento é que, após o julgamento final, Cristo estará no meio de seu povo para sempre, num novo Céu e numa nova Terra (Ap 21.3).

Este estudo foi elaborado pela equipe do Portal Personagem Bíblico a partir de pesquisa bíblica, tendo como uma das referências o verbete “Emanuel” da obra Quem é Quem na Bíblia Sagrada (Editora Vida).

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