Anjo do Senhor, o
O “anjo do Senhor” (às vezes chamado “o anjo de Deus") é mencionado mais de 60 vezes na Bíblia e é o porta-voz pessoal de Deus e seu representante diante da humanidade. Em certas ocasiões no Antigo Testamento, o anjo praticamente é identificado com o próprio Deus, como no encontro de Jacó em Betei, com Moisés na sarça ardente e no livramento do Egito (Gn 31.13; Êx 3.2; Jz 2.1). Em outras passagens, o anjo é diferenciado do Senhor (2 Sm 24.16; Zc 1.12,13). No Novo Testamento, o anjo é distinto de Deus (como em Lc 1.19, onde é chamado de Gabriel), embora Atos 8.26,29 refira-se também à atividade do Espírito Santo.
Na época de Abraão, o anjo apareceu a Hagar no deserto e disse-lhe que voltasse para sua senhora Sarai (Sara); prometeu também que Deus multiplicaria grandemente seus descendentes (Gn 16.712). Nesta ocasião, foram-lhe dadas instruções divinas concernentes a Ismael. Posteriormente, o anjo interveio também no monte Moriá, para impedir a morte de Isaque e confirmar a bênção de Abraão, por ele ter obedecido ao pedido de Deus (Gn 22.11,12,15-18).
O anjo do Senhor aparece várias vezes na história de Balaão (Nm 22.22-35) e é citado na canção de Débora e no chamado de Gideão (Jz 5.23; 6.11-22). No tempo dos Juizes, um anjo instruiu Manoá (Jz 13.13-21). Quando Davi desagradou a Deus, ao fazer a contagem do povo, um anjo trouxe-lhe destruição na forma de uma peste que matou 70.000 pessoas (2 Sm 24.10-16; 1 Cr 21.1-14). Quando o rei orou, o anjo ordenou que se construísse um altar na eira de Araúna (Ornã), o jebuseu. Mais tarde, o Templo de Jerusalém foi edificado naquele local (2 Sm 24.16-25; 1 Cr 21.15-22.1). Um anjo incentivou o desanimado Elias (1 Rs 19.7) e o instruiu a desafiar o rei de Samaria e seus mensageiros (2 Rs 1.3,15). Um anjo aniquilou o exército de Senaqueribe, a fim de mostrar o poder de Deus aos assírios (2 Rs 19.35; Is 37.36).
Nos Salmos, os anjos trazem tanto bênçãos como juízo. “O anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que o temem, e os livra” (Sl 34.7); mas os inimigos do povo de Deus sempre estarão sujeitos ao juízo angelical (Sl 35.5,6). O anjo também é uma figura proeminente no livro de Zacarias (Zc 1.11,12; 3.1,5,6).
O evangelho de Lucas registra a aparição de um anjo do Senhor a Zacarias, a fim de anunciar o nascimento de João (Lc 1.11); a José, através de sonhos, (Mt 1.20; 2.13), a fim de instruí-lo a respeito do menino; e às mulheres no relato de Mateus sobre a ressurreição de Cristo (Mt 28.2-7).
Em Atos dos Apóstolos, o anjo do Senhor é citado em várias ocasiões, quando abriu as portas das prisões (At 5.19; 12.7), orientou Filipe para onde deveria ir (At 8.26) e feriu o rei Herodes Agripa I com o juízo de Deus (At 12.23).
Concluímos então que o anjo do Senhor é bastante ativo no Antigo e no Novo Testamento, a fim de realizar os propósitos divinos, tanto em bênçãos como em maldições. As vezes, Deus comunica sua vontade por meio de um ser angelical, a fim de guiar e instruir seu povo. Em outras ocasiões, o anjo é visto como mensageiro divino, responsável pela realização de um juízo de Deus.
Este estudo foi elaborado pela equipe do Portal Personagem Bíblico a partir de pesquisa bíblica, tendo como uma das referências o verbete “Anjo do Senhor, o” da obra Quem é Quem na Bíblia Sagrada (Editora Vida).
