O Sinédrio
Era o mais elevado concilio e autoridade legal entre os judeus no período anterior à queda de Jerusalém. O vocábulo sinédrio é um termo hebraico e aramaico, transliterado do grego sunedrion, que significa “sentar no concilio”. Embora o Sinédrio fosse a autoridade legal mais elevada dos judeus, durante a ocupação romana seus poderes foram limitados. A maioria das informações sobre esse concilio provém de Josefo e do Novo Testamento, embora algumas considerações também sejam encontradas na Mishnah. Apesar de os mestres judeus acreditarem que o Sinédrio era uma genuína continuação dos 70 anciãos escolhidos para ajudar Moisés na liderança de Israel, provavelmente tinha menos de 20 anos de existência na forma encontrada no tempo dos apóstolos.
Seus membros eram os principais sacerdotes e fariseus. No Novo Testamento, a expressão “os principais sacerdotes e todo o Sinédrio” (Mt 5.22,29; Mc 14.55) indica o importante papel dos sacerdotes. Outros “líderes” e “mestres da lei” também faziam parte (Mc 15.1; Jo 11.47; At 4.5). Atos 5.21 refere-se a “todos os anciãos dos filhos de Israel”. O Sinédrio era presidido pelo sumo sacerdote e tinha mais de 70 componentes.
O Sinédrio tinha poderes gerais delegados pelas autoridades romanas sobre leis civis e questões judiciais sérias que as cortes inferiores não podiam tratar. Em Atos 4, Pedro e João foram levados diante do Sinédrio e julgados por causa da proclamação do Evangelho de Jesus e de sua ressurreição. Naquela ocasião, tudo o que as autoridades puderam fazer foi ameaçar os apóstolos e em seguida libertá-los. Em Atos 5.17-24, porém, o Sinédrio — que tinha sua própria força policial — prendeu os apóstolos e os manteve encarcerados até que o Senhor enviou seu anjo para libertá-los (v. 19).
Como a influência dos apóstolos e do evangelho crescia cada vez mais, o Sinédrio foi convocado novamente para julgar um seguidor de Cristo. Foi esse concilio que determinou, com base em falsos testemunhos, o apedrejamento de Estêvão até a morte, por blasfêmia (At 6.12,15). O Sinédrio foi o órgão legal que os romanos procuraram para obter informações quando investigavam sobre as acusações oficiais feitas contra Paulo (At 22.30; 23.1,20,28; 24.20). Pelo fato de haver fariseus e saduceus entre os membros do Sinédrio, não era de surpreender que ocasionalmente surgissem sérias divergências teológicas entre eles. O apóstolo Paulo usou isso em seu benefício pelo menos em uma ocasião (At 23.6).
A informação bíblica sobre esse concilio obviamente mostra seus membros em oposição ao cristianismo, ainda que a sua atividade fosse apenas concernente às leis civis ordinárias; se o comentário de Gam aliei em Atos 5.34-40 for bem examinado, conclui-se que muitas vezes suas reuniões eram dirigidas por declarações sábias feitas pelos anciãos.
Este estudo foi elaborado pela equipe do Portal Personagem Bíblico a partir de pesquisa bíblica, tendo como uma das referências o verbete “Sinédrio, o” da obra Quem é Quem na Bíblia Sagrada (Editora Vida).

