Samaritano, samaritanos
Geralmente este termo refere-se a uma pessoa que pertencia a um grupo israelita que se localizava no território de Samaria, entre a Judéia e a Galiléia. Eles edificaram um templo no monte Gerizim (veja Jo 4.20,21) durante o período entre os dois testamentos. Sua origem normalmente está relacionada com o relato da conquista da Palestina pela Assíria em 2 Reis 17.24-41, onde a Bíblia menciona como os assírios colonizaram a região conquistada, ao enviar para lá povos da Mesopotâmia, os quais se associaram, por meio de casamento, com os israelitas deixados na região. Josefo considerou-os judeus apóstatas e registra como o sacerdote Manassés foi expulso de Jerusalém, ocasião em que seu sogro Sambalate edificou um santuário para ele no monte Gerizim, logo no início do período helênico.
Atualmente existe um consenso acadêmico de que quase a totalidade das afirmações anteriores quanto à origem dos samaritanos não tem sustentação histórica. Enquanto há considerável desacordo sobre como e onde eles surgiram, as situações refletidas nas referências do Novo Testamento aos samaritanos aparentemente se desenvolveram muito mais recentemente do que se pensava antes. O relato de 2 Reis 17 provavelmente não se refere a eles conforme são descritos no Novo Testamento. O vocábulo no v. 29 traduzido como “samaritanos” relaciona-se simplesmente aos habitantes de suas cidades. Não existe uma evidência que ligue seus moradores posteriores com Samaria; as referências mais recentes os localizam em Siquém (o que seria coerente com a literatura deles, cf. Siraque 50.26; 2 Macabeus 5.22,23; 6.2). Uma das fontes de Josefo de fato refere-se a eles como “siquemitas”. Não se sabe com certeza quem repovoou Siquém (e possivelmente o próprio monte Gerizim) no início do período helênico, mas é razoável pensar que isso foi feito por um grupo de descendentes da população israelita original do reino do Norte, que não foi exilada pelos assírios. Isso estaria de acordo com a literatura samaritana, a qual não mostra nenhuma influência pagã, o que era de se esperar se fossem descendentes de povos que se mesclaram com outros colonos assírios.
No período do Novo Testamento, os samaritanos eram rejeitados pelos judeus. Siraque 50.25,26 fala que “não eram uma nação” e refere-se a eles como “o povo tolo que habita em Siquém”. O Testamento de Levi 7.2 chama os samaritanos de “cidade das pessoas sem sentido” (isto é, tolos). Essa designação esclarece João 8.48, onde os líderes judeus chamaram Jesus de samaritano. Eles aceitavam apenas a autoridade do Pentateuco. Por isso, tinham muito em comum com a literatura judaica: eram monoteístas e aceitavam Moisés como profeta. Diferentemente dos judeus, entretanto, consideravam o monte Gerizim o local sagrado, indicado por Deus para a oferta dos sacrifícios (cf. Jo 4.20).
Nos evangelhos sinópticos há referências aos samaritanos em Mateus 10.5; Lucas 9.52; 10.33; 17.16. Tais passagens não são compreendidas à luz dos antecedentes mencionados antes, mas mediante a lembrança de que tal descrição dos samaritanos é feita do ponto de vista judaico. Assim, em Mateus 10.5 eles são considerados uma terceira categoria, distinta de judeus e gentios. Lucas 9.52 retrata a anim osidade típica entre samaritanos e judeus, mas é interessante notar que Jesus mesmo não se alinhou com a atitude geral de seu povo de evitar o território samaritano nas viagens da Galiléia para Jerusalém (veja também Jo 4.4). A parábola do Bom Samaritano (Lc 10.25-37) é significativa porque mostra um samaritano num papel positivo (especialmente em contraste com as figuras dos religiosos judeus) e causa um “choque de valores”, quando reverte as expectativas que seriam esperadas. Algo similar ocorre em Lucas 17.16, onde apenas o samaritano voltou para agradecer a Jesus, ao receber a cura da lepra.
O tratamento mais extensivo dado aos samaritanos no Novo Testamento ocorre em João 4.4-42 (há outra referência em João 8.48, mencionada anteriormente). A surpresa demonstrada pela mulher por Jesus ter-lhe pedido água (Jo 4.9) e a observação do evangelista de que “os judeus não se dão com os samaritanos” (lit., “não usam o mesmo vaso”) são típicas das relações entre judeus e samaritanos na época. Assim, foi a pergunta da mulher sobre o local apropriado para a adoração (Jo 4.20) que formou a base para a identidade religiosa dos samaritanos (veja Mulher Samaritana). Eles são retratados positivamente no modo como responderam a Jesus (Jo 4.42); para o evangelista, isso serve de base para a abrangência do escopo da missão de Cristo. É surpreendente como os samaritanos são descritos positivamente nos evangelhos de Lucas e João, dada a avaliação negativa que os judeus faziam deles no primeiro século. Ambos deixaram claro que Jesus e sua mensagem não estavam presos a estereótipos culturais, religiosos ou étnicos. SAMBALATE. Governador da Síria na época do Império Persa, quando os israelitas retornaram para Jerusalém, depois do exílio na Babilônia. Foi também o principal oponente de Neemias durante a reconstrução dos muros de Jerusalém (Ne 4). Sambai ate e Tobias, o amonita, queriam demonstrar o poder que tinham, por isso escarneceram dos israelitas e predisseram abertamente a destruição e a derrota deles. Neemias não desistiu de seu objetivo nem de sua posição e encorajou o povo, ao lembrá-lo sobre o Deus grande e maravilhoso a que serviam (Ne 4.14). Refutou abertamente os ataques de Sambalate e continuou na liderança dos israelitas na reconstrução dos muros da cidade e da identidade nacional. Quando Sambalate viu que suas táticas não davam resultado, lançou um boato de que Neemias planejava ser rei (Ne 6). Novamente o homem de Deus refutou suas mentiras, e os muros foram reconstruídos em honra da fidelidade do Senhor para com seu povo.
SAMIR (Heb. “espinho”). Filho de Mica e neto do quarto filho de Coate, Uziel (1 Cr 24.24). Mencionado numa seção que trata da distribuição das tarefas dos levitas no Tabernáculo durante o reinado de Davi.
SAM LÁ. Mencionado na primeira lista dos reis edomitas, na época anterior à monarquia em Israel. Governou depois de Hadade e precedeu Saul, de Reobote. Samlá era de Masreca (Gn 36.36,37; 1 Cr 1.47,48).
SAMOTE. O harodita, um dos “trinta” guerreiros valentes de Davi (1 Cr 11.27). Veja Samute, o qual provavelmente é a mesma pessoa.
SAMUA (Heb. “ ouvido” — verbo). 1. Um dos doze espias enviados por Moisés do deserto de Parã para observar a terra de Canaã (Nm 13.4 — erroneamente traduzido como Samau em algumas versões). Foi escolhido um homem de cada tribo e ele representou Rúben. A missão deles era obter o máximo de informações possíveis sobre a terra: o número de habitantes, a qualidade das fortificações das cidades, a fertilidade do solo (w. 17-20) etc. Os doze cumpriram a missão, trouxeram um enorme cacho de uvas e enalteceram as virtudes da terra (v. 27). O relatório sobre os habitantes da região, entretanto, foi extremamente negativo: o povo era poderoso, alguns deles verdadeiros gigantes; as cidades eram bem fortificadas (w. 28,29). Quando Calebe (apoiado por Josué) disse que a terra certamente seria conquistada, os outros dez espias ficaram horrorizados e o povo rejeitou a ideia, voltando-se contra Moisés e o Senhor (Nm 14.2,3). Deus enviou um castigo sobre os israelitas, por causa da falta de confiança e da rebelião, e prometeu que apenas Calebe e Josué, dentre toda aquela geração, sobreviveriam para entrar na terra de Canaã; assim começaram os 40 anos de peregrinação dos israelitas pelo deserto, quando todos os membros daquela geração, inclusive Samua, morreram (w. 20-38).
2. Filho de Davi. Depois que o novo rei conquistou Jerusalém e mudou-se de Hebrom para lá, tomou muitas esposas e concubinas, as quais lhe deram diversos filhos. Um deles foi Samua (2 Sm 5.14; 1 Cr 3.5; 14.4). Sua mãe chamava-se Bate-Sua e era filha de Amiel.
3. Pai de Abda e filho de Galai, da tribo de Levi. Abda ajudou Neemias na reconstrução do Templo de Jerusalém depois do exílio na Babilônia (Ne 11.17).
4. Provavelmente é o mesmo personagem do item 3. Era o chefe da família de Bilga e ajudou no serviço do Templo na época de Neemias (Ne 12.18).
Este estudo foi elaborado pela equipe do Portal Personagem Bíblico a partir de pesquisa bíblica, tendo como uma das referências o verbete “Samaritano, samaritanos” da obra Quem é Quem na Bíblia Sagrada (Editora Vida).
