Lázaro

Imagem: Alhama de Murcia - Iglesia de San Lázaro Obispo 07.jpg · Zarateman · CC0 · Wikimedia Commons
1. EmLucas 16.19-31, Lázaro é o nome de um mendigo, numa parábola contada por Jesus. Foi o único personagem mencionado pelo nome, provavelmente porque “Lázaro” é uma abreviação da expressão hebraica “aquele que Deus ajuda”, justamente a ideia enfatizada nesta narrativa.
Na parábola, a situação calamitosa de Lázaro, de pobreza, enfermidade e fome é claramente contrastada com a vida opulenta do homem rico, que vivia na fartura e no luxo, em cuja porta mendigava o pobre. Depois da morte, porém, revelou-se que Lázaro era um genuíno membro do povo da aliança, quando foi recebido pelos anjos num lugar de honra ao lado de Abraão, num banquete no céu. O homem rico morreu e, na agonia do juízo de Deus, percebeu as consequências da falta de arrependimento; suplicou então ao seu ancestral Abraão que enviasse Lázaro para aliviar seu sofrimento, mas depois da morte o juízo era definitivo e o contato, impossível. O homem rico então pediu que ele fosse enviado para advertir seus irmãos ainda vivos da realidade eterna que os aguardava; porém a rejeição deles à Palavra de Deus proferida por meio de Moisés e dos profetas indicava que nem mesmo a ressurreição de um morto os persuadiria ao arrependimento.
A parábola ensina, por meio do exemplo de Lázaro, que a humilhação terrena pode ser a promessa da glorificação eterna para os que são fiéis à Palavra de Deus; os que fracassam em praticar as responsabilidades da aliança de exercer a misericórdia e o amor enfrentarão a punição eterna. A referência à ressurreição era uma antecipação irônica da reação cética que o ressurgimento de Jesus provocaria nos fariseus a quem dirigiu a parábola (Lc 16.14).
2. Lázaro, em João 11.1 a 12.19, era o irmão de Maria e Marta, os quais viviam em Betânia. Jesus muitas vezes hospedou-se na casa deles (Lc 10.38-42) e tinha uma profunda afeição pelos três irmãos (Jo 11.3,5,33,35).
Lázaro ficou gravemente enfermo, e suas irmãs enviaram uma mensagem a Jesus, a fim de que Ele viesse curá-lo. Ao receber a notícia, Cristo falou que aquela enfermidade não resultaria na morte de Lázaro, mas sim na revelação da glória de Deus (Jo 11.4). Assim, apesar de sua preocupação, Jesus, em obediência à vontade do Senhor, retardou a ida para Betânia por dois dias. Ciente de que Lázaro estava morto, Cristo anunciou sua intenção de retornar a Betânia, para “despertar” o amigo (v. 1 1 ), apesar de saber que na Judéia correria risco de vida. Seus discípulos não o compreenderam (vv. 12,13), mas Jesus antecipou que a ressurreição de Lázaro os levaria a uma genuína fé nele (v. 15).
Depois de uma longa jornada (Jo 11.17), Jesus foi recebido por Marta quatro dias após o sepultamento de Lázaro. Sua confiança no Mestre, apesar de acreditar que, se Ele estivesse presente, seu irmão não teria morrido, ocasionou a auto-revelação de Jesus: “Eu sou a ressurreição e a vida” (v. 25). Isso confirmou para Marta sua identidade messiânica (v. 27). Depois que Maria foi chamada e encontrou-se com Cristo, este, ao vê-la chorar, ficou profundamente angustiado (v. 33 — implica também ira, e não apenas empatia) com o efeito do pecado e da morte no mundo. Jesus dirigiu-se ao túmulo e ordenou que a pedra que selava a entrada fosse removida. Pela fé, apesar do mau cheiro, obedeceram, e Cristo orou em voz alta para que a ressurreição miraculosa de Lázaro inspirasse a fé nas pessoas. Com uma palavra de comando, dirigida para dentro do túmulo, Lázaro retornou à vida e saiu do túmulo.
O milagre de Jesus inspirou a fé em algumas pessoas (Jo 11.45), mas a notícia provocou um complô no Sinédrio para matar o Filho de Deus (v. 53), bem como Lázaro (Jo 12.10). A plena recuperação do irmão de Marta e Maria é enfatizada pelo fato de que Jesus jantou na companhia dele (Jo 12.2); uma grande multidão foi atraída pela curiosidade (v. 9), a qual aumentou a especulação popular sobre se Jesus era realmente o Messias (w. 12-15,17).
No ressurgimento de Lázaro, Jesus demonstrou seu poder divino de dar a vida e
prefigurou sua autoridade sobre a promes
sa geral da ressurreição. Lázaro, entretan
to, ressuscitou apenas para uma nova vida física, enquanto a posterior ressurreição de Cristo formou o protótipo da ressurreição
que os cristãos aguardam.
Este estudo foi elaborado pela equipe do Portal Personagem Bíblico a partir de pesquisa bíblica, tendo como uma das referências o verbete “Lázaro” da obra Quem é Quem na Bíblia Sagrada (Editora Vida).
