Cristo
(Veja o artigo principal em Jesus e Senhor). O nome “Cristo”, quando se refere a Jesus, é usado numerosas vezes no NT. O vocábulo combinado “Jesus Cristo” ocorre apenas cinco vezes nos evangelhos, mas, no restante do NT, torna-se a designação principal usada para o Filho de Deus (127 vezes). Em algumas passagens bíblicas, o termo “Cristo” indica que se tornou pouco mais do que um sobrenome para Jesus. Supor, entretanto, que este nome nunca signifique mais do que isso é perder a maior parte da mensagem do NT sobre o Filho de Deus. Pano de fundo. O nome Cristo tem seu pano de fundo no AT. O vocábulo grego (Cristos), derivado do verbo que significa “ungir”, foi usado para traduzir o termo hebraico “m ashiach”, que significa “o ungido”. Este vocábulo no hebraico descrevia diferentes pessoas que foram ungidas (normalmente com azeite) para suas tarefas. Em Êxodo 28.41, os sacerdotes foram ungidos; o profeta Eliseu foi “ungido” para seu trabalho (1 Rs 19.16). Outros profetas são chamados de “os ungidos” (1 Cr 16.22). Mesmo Ciro, o rei da Pérsia, foi considerado o “ungido do Senhor” (m ashiach, Is 45.1). Foi o conceito da unção dos reis, entretanto, que deu a base principal para o uso de “Cristo” no NT.
Saul e Davi foram “ungidos” como a escolha de Deus para o reinado (1 Sm 10.1; 16.13); assim, em muitos contextos a expressão “o ungido de Deus” logo tornou-se um sinônimo para os reis (1 Sm 16.13; 24.6,10; 26.9,11,16,23; 2 Cr 6.42; Sl 2.2; 18.50; Dn 9.25,26). Cristo, o Filho de Davi. Uma das mais importantes declarações no NT sobre a identidade de Jesus é a de que Ele é o filho esperado de Davi, o herdeiro de seu trono: o Cristo (Messias). Embora o AT raramente se refira ao rei vindouro, da linhagem de Davi, como o “Messias”, logo os seguidores de Jesus começaram a “somar dois mais dois”, quando ouviram seu ensino e viram suas obras. Reconheceram Cristo como alguém nascido na linhagem de Davi e que era realmente “rei dos judeus” (Mt 1.17; 2.2; 27.11,29,37; Mc 15.9,12,26; etc.). A oração dos cristãos, diante da perseguição, reuniu o elemento do pano de fundo do AT, centralizado na promessa que Deus fizera a Davi e seu cumprimento na pessoa de Jesus (At 4.25-27).
Mesmo durante a vida do Filho de Deus, esse elo entre Davi, Jesus e o nome Cristo foi bem estabelecido. O coro celestial cantou sobre isso para os pastores (Lc 2.11). Os reis magos perguntaram onde o “rei dos judeus” nasceria e Herodes então perguntou aos sacerdotes onde havia de nascer o “Cristo” (Mt 2.2,4).Quando as pessoas viram os milagres que Jesus operava e ouviram suas mensagens, identificaram-no como o “Filho de D avi” (Mt 12.23; 20.30; Jo 7.41,42). O próprio Cristo dirigiu seus pensamentos nessa direção (Mt 22.42; Mc 12.35; etc.).
Nos escritos de Paulo, é quase inconcebível que ele não pensasse especificamente nesse pano de fundo em algumas ocasiões quando se referiu a "Cristo” ou “Cristo Jesus”. Por exemplo, em Romanos 1.1-4, o apóstolo chamou a si mesmo de “servo de Cristo Jesus” e então estabeleceu o ponto de que Jesus era descendente de Davi (v.3; veja também 2 Tm 2.8). As expectativas judaicas. As expectativas messiânicas nos dias de Cristo eram diversas, mas o entendimento que o próprio Jesus tinha sobre sua m issão messiânica não se harmonizava com as ideias da época. Parece que, com o crescimento do nacionalismo, desde os tempos dos macabeus, muitos judeus almejavam por um rei vitorioso, da estatura de Davi, que viria e derrotaria os dominadores romanos. Outros, porém, provavelmente esperavam um monarca que fosse sábio e demonstrasse a sabedoria do Espírito de Deus sobre si, como Salomão. Outros insistiam na ideia de que ele introduziria os “últimos dias”. Todos, entretanto, tinham em comum a ideia de que o Messias teria um reino político, de alguma maneira. Jesus, o Cristo. Jesus, por outro lado, interpretou o conceito de Messias à sua própria maneira muito especial. Talvez essa seja a razão por que pareceu tão relutante em usar Ele mesmo o nome “Cristo” (embora nunca tenha negado o título). Jesus não queria que seu papel e sua obra fossem confundidos com as ideias dos judeus nacionalistas sobre um Messias que viria como um rei guerreiro. Por isso, frequentemente usou o termo “Filho do homem”, ao referir-se a si mesmo — uma expressão que não tinha tais pretensões políticas e que Ele podia preencher com a mensagem de um Messias que sofreria e morreria. É interessante notar que, imediatamente após a confissão de Pedro em Marcos 8.29, na qual disse a Jesus: “Tu és o Cristo”, Jesus “então começou a ensinar-lhes que importava que o Filho do homem sofresse muitas coisas, fosse rejeitado pelos anciãos, pelos principais sacerdotes e pelos escribas, fosse morto e que depois de três dias ressurgisse” (Mc 8.31).
Jesus relutou em falar sobre si mesmo como o Messias até que completasse a obra messiânica. As pessoas reconheceram-no gradualmente como o Messias, à medida que testemunhavam suas palavras e obras, mas, acima de tudo, depois que Ele ressuscitou dentre os mortos. A fé cristã. Embora o nome “Cristo” aos poucos começasse a ter menos sentido do que o vocábulo Jesus, os cristãos sabem que seu significado original é vital para o pleno entendimento da pessoa do Filho de Deus. Esse tem sido sempre um dos mais importantes princípios da fé cristã: que Jesus cumpriu as promessas do Senhor no Antigo Testamento. Ele é o rei há muito tempo esperado, que governará sobre o trono de Davi para sempre; é o "ungido” de Deus, como o filho de Jessé, e o que conheceria o Espírito e a sabedoria do Senhor em seu domínio e governo. Como o próprio Jesus ensinava sobre essa sua missão, vivendo de acordo com ela, e como essa missão foi confirmada em sua morte, ressurreição e ascensão, ficou claro que seu sofrimento era parte integrante do seu papel messiânico. O único e verdadeiro Messias sofreu e morreu por seu povo, para que, por meio da fé nele, como Rei e Senhor, pudéssemos ser salvos (Is 53; Mc 10.45; Lc 24.46; At 3.18; 17.3).
Este estudo foi elaborado pela equipe do Portal Personagem Bíblico a partir de pesquisa bíblica, tendo como uma das referências o verbete “Cristo” da obra Quem é Quem na Bíblia Sagrada (Editora Vida).
